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domingo, 16 de junho de 2013

Como conversar com filhos mal-humorados, impacientes e revoltados

A adolescência é uma época de mudanças. Um disparo biológico leva a criança até a puberdade e as transformações têm início. O corpo começa a se desenvolver e ganhar características sexuais secundárias, como o surgimento de pelos e alargamento dos ombros nos meninos e crescimento dos quadris e seios nas meninas. 
Muito além das transformações físicas, os pais se deparam com filhos mal-humorados, impacientes, revoltados e, muitas vezes, irresponsáveis. A comunicação entre a família e o adolescente pode ficar difícil, e até impossível. Mas como mudar isso?
O primeiro passo é entender que essa grande alteração de comportamento no adolescente é normal. Durante o turbilhão de transformações, duas mudanças justificam bem o porquê de tais atitudes.
Uma delas é a perda de um terço dos receptores de dopamina, neurotransmissor associado à felicidade. Isso explica parte do mau-humor da faixa etária. “É uma estratégia da natureza para nos fazer buscar o novo. Ao ficar mal-humorado e impaciente, eu me lanço ao desconhecido”, explica o psicoterapeuta e educador Leo Fraiman, autor do livro “Meu filho chegou à adolescência, e agora?” (Integrare Editora ).
A outra característica é cerebral. O pouco desenvolvimento da área do cérebro que controla os impulsos, planejamento de consequências e o pensamento de causa e efeito – o córtex pré-frontal – acrescenta um ingrediente “perigoso” ao caldeirão da adolescência. “Essa mescla da necessidade de buscar o novo e a pouca capacidade de gestão de riscos faz com que o jovem tenha problemas com violência, se envolva em acidentes e apronte com frequência. Mas é uma característica normal da fase”, complementa Fraiman.
Construção da relação começa cedo
No entanto, questões biológicas não podem justificar todo e qualquer mau comportamento do adolescente. Os pais precisam ser supervisores, disciplinadores e vigilantes sempre, já que a boa relação entre a família precisa começar muito antes do filho atingir essa fase mais complicada. A semente deve ser plantada ainda na primeira infância.
“Se os pais forem participativos desde o início, comunicando-se com os filhos, respeitando seus desejos e vontades, dentro dos limites, obviamente, na adolescência eles não terão dificuldade de se relacionar. Agora, se os pais foram ausentes e, de uma hora pra outra, querem impor limites e regras e forçar a barra, o relacionamento realmente ficará difícil”, afirma o psicólogo Caio Feijó, autor do livro “Pais Competentes, Filhos Brilhantes” (Editora Novo Século). 
Rigidez e liberdade
Outro problema que preocupa os pais nessa fase é o afastamento do filho, porém também deve ser visto como algo inerente à adolescência. O jovem precisa experimentar certas situações para poder se desenvolver, mesmo que os resultados obtidos sejam negativos. Justamente por causa dessa necessidade de vivência, a comunicação – que, muitas vezes, vem acompanha pela interferência dos pais - tende a ficar mais complicada.
Para estabelecer uma conversa sadia e fazer com o adolescente escute, é preciso acertar a dose entre rigidez e liberdade. Ser extremamente exigente vai deixar o jovem revoltado e sem qualquer disposição para o diálogo. Ao mesmo tempo em que abrir concessões demais passa a mensagem de que ele não é uma prioridade. Ambas as situações prejudicam a comunicação da família.
“Os autores costumam dizer que esse é um grande desafio. Claro que tem que impor limites e exigir coisas, mas tem que ser um pouco mais tolerante”, explica Leila Cury Tardivo psicóloga e professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).
Para Fraiman, apesar de ser uma tarefa complicada, é importante que os pais assumam essa responsabilidade e aprendam com as situações pelas quais a família passa. “Essa etapa vai passar, mas os efeitos construídos nela ficarão para sempre. Tanto os bons quanto os negativos. É fazer direito, certo e com amor. No lugar de ver como um sacrifício, tentar encarar como um sacro-ofício, um ofício sagrado. E tudo que é sagrado a pessoa faz o que tiver que fazer”, complementa o psicoterapeuta.
Como melhorar a conversa com o adolescente? Confira as dicas dos especialistas para que os pais consigam ter um convívio saudável com os filhos:
- Aprenda a escutar. Ao sentir que está sendo ouvido, a reação do jovem tende a mudar diante de suas respostas. Lembre-se: comunicação é uma via de mão dupla
- Se os ânimos ficarem exaltados, evite piorar a situação elevando a voz ou brigando com o jovem, por exemplo. Discussões, geralmente, não têm bons resultados. Deixe que o adolescente se acalme e retome a conversa em outra oportunidade
- Procure ter conversas sérias longe de familiares e amigos. Assim, ninguém dará palpite e seu filho não ficará constrangido
- Evite sermões e diálogos em tons de cobrança
- Tente não ficar impondo suas próprias verdades. Faça com que o adolescente reflita, mesmo que ele chegue à conclusão que você deseja. Sentir que ele tomou a decisão o deixa mais aberto ao diálogo. Tentar impor ordens garganta abaixo do adolescente não funciona
- Não tente parecer adolescente. É importante para você e para seu filho que essa diferença de idade e funções esteja clara, assim a chance de um invadir o espaço do outro é menor
- Procure conversar sobre tudo com seu filho. Falar sobre você, sobre ele e temas corriqueiros enriquece o diálogo
- Não seja liberal demais. Seu filho pode se sentir abandonado. Seja cuidadoso e não invasivo
- Monitore a vida virtual, mas sem invadir a privacidade de seu filho. É importante que ele confie em você.
FONTE: ig

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